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Atas da Conferência Internacional "Experiências e Expectativas do Ensino de Estatística - Desafios para o Século XXI"

Florianópolis, Santa Catarina, Brasil - 20 a 23 de Setembro de 1999

A Formação em Estatística de Profissionais de Outras Áreas

Pedro A. Morettin

Universidade de São Paulo

1 Introdução

A primeira consideração é que as disciplinas de estatística básica são ministradas usualmente no primeiro ano dos diversos cursos de bacharelado ou licenciatura, nas mais diversas áreas do conhecimento, como física, matemática, engenharia, medicina, psicologia, etc.

Sendo assim, nos deparamos com estudantes com cerca de 18-19 anos, que muitas vezes escolheram sua carreira não por vontade própria, mas por fatores como opções nos vestibulares, etc. Portanto, em minha opinião, me parece não relevante considerar que a análise de dados da área do estudante seja uma necessidade primordial, pois nessa fase ele entende pouco dessa área. O que me parece mais relevante é transmitir um corpo mínimo coerente de técnicas, que seja uma primeira visão do estudante da metodologia estatística. Técnicas mais sofisticadas de análise, se ele as necessitar, aparecerão mais tarde, por exemplo em cursos de pós-graduação, ou em suas atividades profissionais, quando então ele terá maior maturidade sobre os problemas de sua érea de atuação. Nessa fase, ele poderá adquirir conhecimentos mais elaborados de análise estatística.

O que segue, então, é uma sugestão para três tipos de cursos de estatística básica, no nível de graduação.

2 Um Curso Básico Semestral

Para alunos das diversas áreas do conhecimento, com exceção de ciências exatas e engenharia e economia, um curso semestral com 4 aulas semanais, incluindo o uso de algum pacote computacional, como o Minitab ou Excel, incluiria os seguintes tópicos: Técnicas principias de análise de dados (incluindo regressão linear simples), noções de probabilidade, distribuições discretas(binomial e Poisson), distribuição normal, simulação de variáveis usando o pacote, noções de estimação(com ênfase em proporções), noções de testes(com ênfase em proporções e uso do p-valor), testes de qui-quadrado. Análise de dados reais pode ser feita, usando por exemplo os conjuntos de dados do Minitab. A ênfase deve ser no entendimento de conceitos e provas não devem ser dadas. Nesse nível não há grandes exigências de matemática.

3 Dois Cursos Básicos Semestrais

Para alunos de economia e ciências exatas(incluindo engenharia), recomenda-se dois cursos semestrais com os tópicos acima, mas agora com muito mais detalhes e uso mais intensivo de algum pacote. Dependendo da área, mais detalhes poderiam ser vistos em alguns tópicos. Por exemplo, para alunos de economia, os tópicos de inferência para duas ou mais populações(análise de variância), incluindo regressão, seria aconselhável.

4 Conclusões

Disciplinas básicas de graduação são, normalmente, ministradas a alunos iniciantes nas áreas de eleição. Os requisitos matemáticos para essas disciplinas podem ser um obstáculo para que os alunos possam entender os conceitos ministrados em determinados níveis. Não ha' uma resposta simples nem única para cada uma das questões: qual conteúdo ministrar? como ministrar esse conteúdo? Mas penso que isso ocorre também com outras disciplinas, que não a estatística, e uma alternativa razoável deve ser buscada em cada situação.