![]() |
Atas da
Conferência Internacional "Experiências e Expectativas do Ensino de Estatística -
Desafios para o Século XXI" |
O Ensino da Estatística na Formação de Profissionais
Pedro Alberto Barbetta
Com o advento da informatização, as dificuldades aritméticas nas aplicações de técnicas estatísticas tradicionais reduziram-se drasticamente. Por outro lado, a informatização encheu o mundo de dados. Profissionais das mais variadas áreas sentiram a necessidade de lidar com técnicas que objetivam extrair informações de conjuntos de dados e, em especial, com as técnicas estatísticas. Em conseqüência, aumentou muito a demanda por profissionais do ensino da estatística aplicada. Contudo este mercado passou a ser muito mais exigente. Não é mais suficiente o ensino dos conceitos e aplicações básicas da estatística. É fundamental que o professor de estatística aplicada penetre nos problemas reais da área de atuação dos alunos (profissionais ou futuros profissionais).
O novo profissional do ensino da estatística precisa estar atento à questão da interdisciplinaridade. Ao lidar, por exemplo, com alunos das ciências sociais e humanas, ele tem o desafio de levar ao aluno o raciocínio lógico e formal dos métodos estatísticos, quando estes estão acostumados com o raciocínio subjetivo do mundo social. Ao trabalhar com alunos da engenharia, área que tradicionalmente predominam os modelos determinísticos, o profissional do ensino da estatística chega com a finalidade de apresentar modelos estocásticos. Obviamente, se a introdução desta nova linha de raciocínio não for feita de forma didática, os alunos não saberão aplicar e interpretar adequadamente os métodos que estão aprendendo.
Por experiência própria, posso dizer que quando o estatístico passa a trabalhar com a formação de profissionais de outras áreas se sente um tanto quanto "fora do ninho". Tradicionalmente, nas escolas de graduação e pós-graduação de estatística predomina a linha dedutivista: o desenvolvimento matemático de métodos. Enquanto a maioria dos profissionais das diferentes áreas necessitam das técnicas estatísticas para problemas exploratórios e inferenciais: captar informações de conjuntos de dados.
Várias iniciativas tem sido realizadas para adequar a capacitação do profissional do ensino da estatística aplicada, mas este processo, em geral, não tem acompanhado o crescimento deste mercado.