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Atas da
Conferência Internacional "Experiências e Expectativas do Ensino de Estatística -
Desafios para o Século XXI" |
Comunicação Oral recebida e apresentada
Interacções entre Pares e Estatística:
Um casamento (quase) perfeito!
Margarida César
Centro de Investigação em Educação. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Edifício C1 - Campo Grande, P 1700-Lisboa- Portugal. mcesar@fc.ul.pt
As interacções sociais e a estatística são dois domínios de estudo que ganharam particular relevância nas duas últimas décadas. Diversos estudos comprovaram a importância da interacções sociais na apreensão de conhecimentos e aquisição de competências matemáticas. Por outro lado, a estatística tem-se revelado um campo de estudo muito rico, que desempenha um papel de charneira entre diversas disciplinas e que pode contribuir de forma devisiva para uma maior literacia por parte dos cidadãos. Este interesse crescente por estes dois temas tem tido eco nos encontros nacionais e internacionais, assim como na literatura científica que tem vindo a ser publicada.
Depois dos estudos pioneiros de Doise, Mugny e Perret-Clermont (1975, 1976), diversos autores salientaram a importância de efectuar estudos contextualizados e do papel faclitador ou bloqueador que podem ter factores como as tarefas, as instruções de trabalho, o estatuto dos pares, ou o estatuto de quem apresenta a tarefa nos desempenhos matemáticos dos alunos (César, 1998a, 1998b; Perret-Clermont e Nicolet, 1988; Schubauer-Leoni e Perret-Clermont, 1985, 1997).
O projecto Interacção e Conhecimento tem sido realizado em diversas escolas portuguesas nos últimos quatro anos e tem como objectivo principal promover as interacções entre pares na sala de aula de Matemática. Partindo de exemplos concretos, iremos discutir as vantagens desta forma de trabalho em relação aos conteúdos de estatística de alunos do 10º ano de escolaridade, nomeadamente daqueles que escolheram a área de humanísticas, muitas vezes pelo desejo expresso de "fugirem" à Matemática.
Os resultados obtidos permitem compreender que a conjugação das interacções entre pares com o estudo de conteúdos de estatística pode ser uma forma de conseguirmos implementar atitudes mais positivas face à Matemática e melhores desempenhos por parte dos alunos, resolvendo alguns bloqueios e rejeições provocados pelo acumular de insucessos anteriores. É também um processo de levar os alunos a desenvolver as suas capacidades, as pecto cada vez mais importante numa sociedade em acelerada mudança, onde a educação é vista cada vez mais como contínua e onde a adaptação e a reciclagem profissional são constantes que nos acompanham ao longo da vida.